Infelizmente nossa sociedade vive em um mundo desconfiado e superficial. Ninguém tem realmente tempo pra prestar atenção em alguém, muito menos tentar entender essa pessoa (com exceção aos psicólogos e etc pois este é o seu trabalho). Mas para ser totalmente honesta acredito que a grande maior parte da civilização nem sequer está interessada em entender o próximo.
Pode ser que esse estilo de vida consumista a que somos "programados" nos têm direcionado para a superficialidade, talvez seja algo mais complexo ainda. Mas que realmente temos tendência a "descartar" o que não nos convém ou o que não nos interessa mais. Assim somos com roupas, celulares, fogões, geladeiras, carros... E será que somos assim com seres humanos também? Sim, acredito que a grande maioria o faz sem sequer ter consciência disso. Descartamos amigos que hoje em dia discordam de nossos pensamentos, descartamos conhecidos que possam nos criar problemas, descartamos pessoas que nos deixam constrangidos.
Aprendemos a ser assim, aprendemos a substituir. Se hoje eu perdi um grande amor, "preencho" esse vazio com compras compras compras, ou então com festas e baladas. Mas sequer paramos para pensar no imenso mal que isso nos traz?
Infelizmente aprendi com meus próprios erros. Já descartei pessoas da mesma forma que fui descartada. Talvez nem soubesse o que aquilo significava.
Para mim muitas pessoas já serviram de "preenche-vazio", da mesma forma como assim fui para tantas outras. E não, na época não tinha consciência disso. Não sabia o que tudo isso significava. Hoje sei melhor: eu apenas tentava arranjar um sentimento substituto para um grande vazio que sentia (seja pelo motivo que for, morte de alguém próximo, término de namoro, carência, ...), da mesma forma que as pessoas que me "usaram" também.
Como o mundo hoje gira em torno do consumismo, o que é mais visado é a unificação dos gostos. No fundo no fundo tentam nos tranformar em pessoas em alma, sem conscientização. Pequenos bonecos sendo manipulados pelos grandes.
E assim nos deixamos levar.
Hoje, depois de muito sofrimento, muito custo e algumas boas amizades perdidas, me dei conta do quão fútil esteja sendo. Aceitando simplesmente tudo o que me era colocado na frente. Chegou uma hora que não sabia mais o que realmente queria ou o que gostava de fazer. Simplesmente fazia porque eu tinha que fazer. Um absurdo isso, não? Mas talvez isso aconteça com você e você nem tenha se dado conta ainda.
Creio que a grande maioria vive em uma pscina de ilusão, onde tudo é maravilhoso, ou se não é, se tornará a ser. Mas não, a vida não é um mar de rosas, a vida não é justa! Mas podemos torná-la divertida, podemos fazê-la valer a pena.
Ainda não estou 100% não-consumista. E nem pretendo chegar a esse ponto. Apenas quero encontrar um meio termo saudável tanto pra mim quanto para as pessoas que vivem ao meu redor.
Aprendi que comprar mais roupas, tênis, bolsas e etc não vai substituir aquele amor que foi embora. Aprendi que verdadeiras amizades ficam, apesar de nossos pensamentos fluírem em sentidos opostos. Aprendi que às vezes idealizamos pessoas, tornando-as quem gostaríamos que elas fossem, e não quem elas realmente são. Aprendi que não preciso de 500 mil blusinhas se tenho o suficiente para usar durante o ano. Aprendi muitas coisas... Mas a principal foi que aprendi a gostar do que realmente gosto e a ser eu mesma!